Wikilivros: liberdade para o conhecimento

O Wikilivros (do inglês Wikibooks) é um projeto da Wikimedia Foundation dedicado ao desenvolvimento colaborativo (wiki) de livros, apostilas, manuais e outros textos didáticos de conteúdo livre .

Instituições, professores,alunos e sociedade de um modo geral podem participar lendo ou melhorando um dos 6 443 módulos presentes nos 274 livros, ou produzindo novos materiais.

A perspectiva é que os wikibooks aumentem sua importância a medida que a cultura comece a incorporar os livros digitais em práticas de aquisição de conhecimento.  Outro aspecto que julgo importante para o aproveitamento de livros digitais é a popularização das tecnologias da mobilidade.

Neste contexto, projetos de wikibooks podem ser uma boa opção para lidar com a demanda de conhecimento sistematizado, porém é necessário que esses conteúdos sejam abertos.

Como diz o André Lemos ” a informação que ser livre na cibercultura”, e quer mesmo. São as mídias pós-massivas que autorizam professores e alunos a serem produtores de conteúdos, libertando-os da lógica unidirecional do mass media.

Não se trata aqui de nenhuma visão apocalíptica com relação ao futuro do livro impresso, mas da sua reconfiguração. Para dizer a dizer a verdade, a mim pouco importa qual será o suporte do livro, o mais importante é a democratização do conhecimento. Se a cultura decretar o fim ou a diminuição da importância do livro impresso será porque esta é uma imposição do Zeitgeist (espírito do tempo), e certamente nossas capacidades cognitivas e motoras estarão prontas para a lógica do digital.

Cada vez eu fico mais impressionado com a versatilidade da ferramenta wiki. Não é atoa que o Prof. Thomas Malone (MIT) aponta o Wikipedia com um dos mais melhores exemplos de inteligência coletiva voluntária.

A tecnologia de suporte para a inteligência coletiva é a mesma da Wikipedia, ou seja, o software MediaWiki.

Saiba como desenvolver o seu próprio projeto de Wikibook .

José Erigleidson

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Connexions, o remix de conteúdos educacionais.

Nesta palestra (legenda em espanhol), Richard Baraniuk, professor da Rice University, explica a visão por trás do Connexions, um sistema educacional que tem por objetivo permitir que professores criem, compartilhem e façam o remix de conteúdos educacionais para criar cursos, livros e relatórios.

Connexions é um excelente exemplo de tecnologia molecular, termo sugerido por Pierre Lévy para denominar as tecnologias que permitem o controle da mensagem bit por bit, ao contrário das tecnologias molares (TV, jornal, rádio…) onde o controle da mensagem é central.

Entre as principais vantagens da utilização do Connexions, destaco:
a) a possibilidade do professor criar livros e relatórios personalizados para suas disciplinas;
b) estabelecer links e evidenciar relações ocultas com temas de outras disciplinas;
c)otimização da inteligência coletiva;
d) reduzir custos de produção pela eliminaçao de intermediários (para uma boa discussão sobre produção colaborativa ver o livro de The Wealth of Network, de Yochai Benkler);
e) atualização instantânea e sem custo;
f) suporte para a criação de conteúdos abertos (open educational content), aproximando a Educação com a cultura livre (ver Cultura Livre,  de Lawrence Lessig).

José Erigleidson

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Alternate Reality Games

Há algo de misterioso no Seminário Nacional ABED de Educação à Distância, que começou no sábado passado (23) e vai até o próximo domingo (31), somente pela Internet. E tal mistério pode ter alguma relação com a Professora Berta Gaspar, que está no twitter, no orkut e por e-mail pedindo ajuda a algumas pessoas.

Berta parece ser a personagem de um Alternate Reality Games, “narrativa baseada em fatos da vida quotidiana mas que possuem sentidos adicionais que mobilizam as pessoas a interagir e enfrentar desafios coletivamente.

Realizados em múltiplas bases, os ARGs se aproveitam das vantagens das mídias eletrônicas para o envio de pistas sucessivas que vão compor um panorama narrativo maior.

Vários desses jogos são desenvolvidos de forma a que nenhum jogador isolado possa resolvê-los. Os participantes formam comunidades para trocarem informações, encontrar e desvendar as pistas do jogo.

Um aspecto essencial de muitos desses jogos é o de fazer uso da inteligência coletiva. Cada participante contribui com o que sabe ou descobre e troca informações com os demais.

A ação coletiva acelera a resolução dos desafios em caminhos que surpreendem os próprios organizadores dos jogos.

Na interação e discussão em equipes os participantes criam novos conteúdos, produzem resumos, mapas, publicam fotos e vídeos que colaboram na resolução dos desafios. São os próprios reporteres, detetives e cientistas que desvendam pouco a pouco a história. Em conjunto, eles buscam em diferenciados caminhos as informações, separam as importantes das irrelevantes, negociam consensos, criam procedimentos e usam suas habilidades para resolver os problemas propostos.

Por meio das interações e produções, os ARGs ampliam os desafios para além das comunidades, do computador e da internet e envolvem todo o mundo no contexto do jogo.”

Estamos tentando acompanhar as pistas deixadas por Berta. Vamos ver onde isso vai dar….

Saiba mais sobre o que são ARGs.

Jaciara de Sá Carvalho

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A Inteligência Coletiva e o Grupo Nós

Educação na Cibercultura: comunidades de aprendizagem para mobilização da inteligência coletiva é o nome do artigo do Grupo Nós publicado pela Revista Udesc Virtu@l do Centro de Educação a Distância da Universidade do Estado de Santa Catarina .

Fruto de umas das primeiras discussões sobre a IC, o artigo reflete a fase inicial de nossa pesquisa. Veja aqui.

Jaciara de Sá de Carvalho, uma das integrantes do grupo Nós, defendeu, brilhantemente, em 18 de maio seu mestrado com a dissertação Redes e Comunidades Virtuais de Aprendizagem: elementos para uma distinção. Clique para ler.

A banca foi constituída por Vani Kenski e Gilson Schwartz.

Salete Soares

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10 Dicas Para Um Wiki Bem-Sucedido

(10 Tips For A Successful Wiki, do blog Brain of James)

1 -Crie um checklist para suas necessidades de documentação.
Como qualquer ferramenta, avalie no sistema existente o que deixa o grupo insatisfeito. Quais as áreas óbvias para melhoria de seu sistema de documentação? Gere uma lista de critérios que criaria a ferramenta perfeita para edição, armazenamento, acesso e busca de documentação de projeto.

2 -Escolha o wiki certo.
Há dezenas de wikis diferentes, de modelos de busca aberta livre a pacotes de empresa comercial. Use a sua lista de critérios para buscar opções viáveis e avaliar cada uma para ver como ela se encaixa ao seu time. Seu grupo precisa hospedar dezenas de milhares de páginas ou centenas de milhares? Quantos usuários acessarão simultaneamente? O servidor será local ou remoto? Todos esses fatores afetarão a velocidade na qual os usuários trabalharão. E mais rápido é sempre melhor. Wikimatrix é uma excelente ferramenta de comparação.

3 -Invista em seu wiki.

Nada é perfeito fora da estante e com seu wiki não será diferente. Muitos pacotes de wiki são desenhados para serem customizados e expandidos, então pesquise por alguns dias e modifique-os de acordo com suas necessidades. Algumas horas ou dias gastos retornarão multiplicados por dez em tempo economizado pelos usuários.

4 -Crie links para arquivos externos somente quando necessário.
Muitos novos usuários do wiki criarão uma página e disponibilizarão apenas links para arquivos .doc ou .txt. armazenados no sistema de controle da fonte. Certifique-se de que os usuários estão conscientes de que documentação de textos e imagem é melhor armazenado no wiki, então aquele conteúdo pode ser facilmente localizado por estranhos. Links para planilhas com fórmulas complexas são inevitáveis, então documente o propósito do arquivo e quaisquer notas sobre ele na página principal do wiki como atalho.

5 – Crie uma estrutura
Enquanto o Wikipédia pode parecer anárquico, ele tem uma estrutura bem definida que é moderada por milhares de voluntários. Seu wiki precisará da sua própria estrutura, baseada em suas necessidades identificadas na dica 1. Assegure-se de que na primeira página os usuários possam visualizar as informações mais pertinentes. Wikis frequentemente suportam uma variedade de estruturas, incluindo hierarquias, que são mais fáceis de seguir para documentos relativos a um único projeto. Usuários constroem hábitos rapidamente; com uma estrutura bem definida, as melhores práticas serão desenvolvidas organicamente. Wikipatterns tem feito um bom trabalho nesta área.

6- Dê a cada projeto um nome ou uma área.
Quando armazenar documentos de múltiplos projetos (ou departamentos) no mesmo wiki, use a funcionalidade do “namespace” para delinear claramente a área de cada. Isto tornará mais fácil fazer pesquisas e escolher entre múltiplos projetos futuros mais efetivamente. Enquanto muitos wikis suportam “namespaces”, alguns também tem áreas de projeto com as páginas relevantes para o grupo.

7 – Faça-o publicável.
Dependendo do seu modelo de projeto/editor/estúdio, provavelmente você terá de publicar documentação para revisão externa. Com um pouco de planejamento, um documentos com um design mais tradicional pode ser automaticamente gerado do wiki. Identifique as páginas que contém a informação crucial para sua audência e assinale-os com um aviso padrão (“Página para revisão externa!”). Os membros do grupo saberão manter aquelas páginas atualizadas e limpar notas grosseiras. Use a transclusão de págína para gerar uma única página contendo toda a documentação do design principal e exporte-a em PDF ou em formato similar.

8 -Treine usuários em estágios.
Comece com um tutorial de 5 minutos sobre como criar uma conta, encontrar uma página e editar uma página. Isto permitirá aos usuários tornarem-se familiares com o uso do wiki para encontrar a informação que eles querem e ajudá-los a começar a contribuir. Introduza as páginas de discussão/conversa (se seu grupo decidiu usá-los) e então avance para outros aspectos, como histórico e revisões. A barreira para entrar num wiki é marcadamente mais baixa, e com apenas uma conta e edição básica, os usuários podem contribuir com o projeto. O treinamento em estágios torna isso simples para os usuários crescerem nos vários aspectos do wiki enquanto contribuem.

9 – Use caracteres e buscas

Uma boa estrutura faz com que buscar uma página torne-se algo fácil, mas um grande número de páginas pode ainda levar tempo para fazer buscas. Boa pesquisa poupa-nos uma grande quantidade de tempo; usando páginas com caracteres faz com que elas fiquem mais flexíveis com a sua estrutura. Um designer pode caracterizar uma página com termos relevantes, como “design”, “sistema” e “combate”. Isso permite ao usuário filtrar conteúdos para caracteres, ajudando-os a encontrar as páginas que eles estão procurando mais rapidamente.

10 -Implemente RSS e outros sistemas de alerta.

Muitos wikis suportam RSS e outras notificações por atualização de página que transmitem avisos quando mudanças são feitas. Estes alertas são como um estalo para informar os usuários quando uma atividade importante para eles acontece. Um alerta de e-mail assinado para as páginas para publicação externa mantém o designer e o produtor a par de quaisquer mudanças de informação regularmente difundidas fora do grupo. Membros do grupo cadastrados num nível particular sabem quando o design é atualizado, programadores podem facilmente localizar atualizações.

Wanderlucy Czeszak

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Por uma inteligência para além dos macacos de Andrew Keen

macaco1

Imagem sob licença Creative Commons: Toby Simkin

Hoje comprei   “O Culto do Amador“, de Andrew Keen. O livro é polêmico porque vai na contramão da deificação da internet com espaço para a inteligência coletiva. O autor prefere colocar em foco a estupidez coletiva em escala planetária. Para Keen, a internet é um instrumento nas mãos de macacos exuberantes (os humanos) que praticam todos os tipos de asneira em rede (o autor recorre ao “Teorema do Macaco Infinito”, proposto pelo biólogo evolucionista T.H. Huxley).

Keen não está completamente errado ao expor a estupidez coletiva, mas, assim como o rei Thamus, em Fedro de Platão, que argumenta contra a escrita, a mais nova invenção do deus Theuth, seus argumentos incorporam apenas parte da verdade.

Não me agrada nenhum um pouco visões fundamentalistas sobre esse ou qualquer outro assunto. Quando falamos do humano seria possível separar o bem do mal? A inteligência da estupidez? Na minha opinião, as tecnologias encarnam o bem e mal, assim com a inteligência e a estupidez do humano.

Vejo nos argumentos de Keen uma oportunidade para o projeto da inteligência coletiva. Sim, sou um otimista, não nego. Sou da linha de Nicholas Negroponte, de Pierre Lévi e de Alvin Toflen. Vislumbro também a possibilidade de uma educação para a inteligência coletiva. Ora, não podemos nos render a mediocridade.

Não tenho a ingenuidade de achar que a tecnologia é elixir salvífico da humanidade, mas como em Sodoma e Gomorra, precisamos fazer intervenções em nome dos justos. É preciso tecer a “engenharia do laço social”, pois é esse o projeto da inteligência coletiva proposto por Lévy.

Para reverter esse cenário aviltante, evidenciado por Andrew Keen, será preciso, dentre outras coisas,  fazer uma reapropriação das pedagogias da valorização do humano. Precisamos inventar uma educação para a inteligência coletiva que salve nos mesmos das consequências imprevisíveis da nossa estupidez coletiva.

José Erigleidson da Silva

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Interatividade e Cognição no Ciberespaço

Apresentação elaborada pela Profa. Dra. Lucila Pesce ( PUC-SP)  para a aula da disciplina Teorias Avançadas na Aprendizagem em Ambientes Virtuais – TAAV no TIDD

Interatividade e cognição no ciberespaço

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José Erigleidson da Silva

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Aprendizagem e cibercultura

Por Máira Pereira

Coordenadora Acadêmica dos Programas Corporativos em Educação a Distância do Ibmec-Rio

É possível que muitos professores estejam se deparando com uma realidade aparentemente contraditória: como é que pode aquele aluno com dificuldades de aprendizagem em sala de aula e com uma redação tão ruim acessar um computador em uma lan house para se comunicar com fluência com grupos de amigos “virtuais” em sites de relacionamento? Quem sabe a orientação para enfrentar tantos desafios não esteja muito próxima, ao lado? Por que não lembrar a ideia de que as pessoas aprendem umas com as outras, em comunhão, como defendido na vida e obra do educador brasileiro Paulo Freire? Mas o que Freire teria a ver com esses dilemas atuais e tantos outros desafios enfrentados por professores, entre os quais os ligados às possibilidades de aprender e de se comunicar de diferentes formas no contexto da cibercultura? Vamos seguir mais um pouquinho para tentar costurar esses pontos?

Trabalhar em conjunto e aprender em comunhão, como afirmava Freire1, significa corporificar nas ações do dia-a-dia o tipo de mundo e de sociedade com o qual se está comprometido a construir. O pensamento de Freire se liga à atitude do educador, que por se reconhecer inacabado, incompleto, faz e refaz a si mesmo na relação com o outro, sempre de forma ética, inclusiva, respeitosa e generosa. Da mesma forma, o educador se mostra disponível para participar da construção do “si mesmo” do outro, tudo isso com uma inserção consciente no mundo, atento a diferentes referências e dilemas. É este olhar, esta atitude que se propõe aqui para que o professor esteja aberto para enfrentar vários desafios, reconhecendo particularidades de nosso tempo e, sobretudo, do dia-a-dia de seus alunos. Vale a pena saber quais são os interesses das crianças e jovens de nosso tempo, seus desejos, suas variadas formas de expressão, inclusive fora da sala de aula, além dos muros da escola. É preciso ter espírito aprendiz, conhecer nossos alunos, conhecer este nosso tempo e as novas possibilidades que se apresentam, transformando a prática pedagógica.

Para começar, pergunte a si mesmo e aos seus colegas professores o seguinte:  Qual o meu grau de familiaridade com computadores, internet etc.? Sei o que são Wikipedia, Orkut, hipertexto, cibercultura, tecnologias da informação e comunicação (TICs)? Participo de listas de discussão, fóruns ou chats?

Você já pensou que seus alunos poderão ajudá-lo com essas questões? Já pensou em inverter a ordem das coisas? Afinal, também aprendemos com nossos alunos e criar espaços de diálogo pode favorecer o estabelecimento de um clima de confiança, abrindo passagem para novas construções.

Um passo fundamental é buscar formação inicial e continuada. Como? Pesquisando programas em universidades e instituições que oferecem cursos para inclusão digital de professores e que desenvolvem competências específicas para a docência em ambientes virtuais de aprendizagem. Há espaços diversos para aprender e compartilhar!

E como partir para a prática depois de buscar essa formação? Por meio de iniciativas, como propor pesquisas na internet, um fórum como atividade complementar ou um texto coletivo. Ambientes virtuais de aprendizagem trazem outros tempos e espaços, mais livres da linearidade própria da cultura letrada, ainda dominante em nosso currículo que se apresenta de forma seqüencial, seriada.

A fragmentação do tempo e da vida na contemporaneidade – o fenômeno da cibercultura2 não se restringe à internet, alcança comportamentos, estilos de vida – encontra seu correspondente no texto, em um hipertexto. O hipertexto se caracteriza por múltiplos pontos, dispostos em rede, cujos significados se renovam continuamente a cada nova conexão, de acordo com a necessidade e o momento. Nessa perspectiva, “escrevemos e lemos com a possibilidade de abrir ‘janelas’, de fazer links e conexões com informações referenciais que vão nos associar rápida e intuitivamente a outros textos, outros fragmentos, outras idéias” (Ramal, 2002)3.

Tudo isso sinaliza a relação com uma nova forma de organização e mobilização dos saberes no fazer pedagógico. Novas competências4 docentes precisam entrar em ação nesse novo cenário. O educador é um companheiro de estudos, dinamizador da inteligência coletiva. Ainda que você não trabalhe com educação online, as competências desenvolvidas nessa modalidade poderão ser úteis para a sala de aula presencial por meio da interatividade, do diálogo plural. Já o contrário não é possível: não basta transpor competências desenvolvidas na modalidade tradicional ou presencial de educação para o ambiente virtual. É preciso compreender o ambiente em que essas competências serão postas em ação.

A costura de todos esses desafios e oportunidades é a aprendizagem colaborativa e compartilhada e a disponibilidade para o novo, de forma compreensiva, que nos aproxima de nossos alunos, com a curiosidade que dá novos significados às práticas educacionais. E não esqueçamos o mais importante: há potencial nas novas tecnologias e, acima de tudo, nas pessoas, por meio de suas relações.

Notas

11 – Veja Freire, P. A pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987

2 – Para saber mais, consulte Ramal, A. C. Educação na cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. São Paulo, Artmed, 2002.

3 – Veja nota 2.

4 – Para consultar estudo de caso sobre as competências para a docência on line e suas implicações para a formação inicial e continuada de professores, veja Pereira, M.& Santos, E. O; Tractenberg, L., 2005. http://www.abed.org.br/congresso2005/por/pdf/149tcb4.pdf

Izabel Leão

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Por dentro da web


Para entender a internet – noções, práticas e desafios da comunicação em rede é o título do livro que acaba de ser lançado na própria web. Gratuita, escrita por especialistas da área e com uma linguagem bastante acessível, a obra tem o objetivo de explicar para o público em geral tudo o que sempre se quis saber e perguntar sobre a internet.

Os temas são apresentados por quem entende do assunto. Entre os autores: Edney Souza, um dos blogueiros mais conhecidos do país; e Fábio Seixas, um dos brasileiros mais seguidos no Twitter, que discute sobre micro-blogging. Há também textos de Sérgio Amadeu, ativista do software livre, e de Ronaldo Lemos, da Fundação Getúlio Vargas, que explica o que é o Creative Commons.

“O leitor perceberá que os textos vão além das simplificações e dos modismos. Mais que artigos informativos, eles incluem vivências, dúvidas e opiniões de quem está na linha de frente, descobrindo para que serve a internet. O que o leitor encontrará é, portanto, bem diferente de uma coleção de verbetes enciclopédicos, a começar pelo tom informal e convidativo, livre de jargões ou academicismos”, explica Juliano Spyer, organizador da obra.

Clique aqui e acesso o livro – http://www.paraentenderainternet.blogspot.com/

Izabel Leão

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A valorização das competências pela IC

“Um exemplo das possibilidades abertas pelo ambiente colaborativo é a preparação de um livro, algo que já foi feito em conjunto pelos alunos da rede municipal. Isso incluiu não só os textos, mas também a criação de ilustrações, o design da capa e a formatação final. O material foi impresso e entregue a órgãos municipais no fim do ano passado.”

O trecho acima foi retirado de uma matéria que fala de experiências bem sucedidas do uso de notebooks na escola (aqui) . Tais iniciativas, como se pode perceber nesse exemplo, ampliam as possibilidades do trabalho colaborativo e da ocorrência da inteligência coletiva na sala de aula.

Na economia, Don Tapscot fala do prosumer (produtor-consumidor) . Na educação on line , o  prof. João Mattar , do aututor. Eu aposto na figura do aluno produtor de conteúdos, em inglês,  Student Generated Content.

Os Nativos Digitais são mais propensos à colaboração do que seus predecessores. Assim, é preciso que os educadores estejam preparados para aproveitar esse potencial emergente, mobilizandos e articulando  competências. 

Segundo um relatório produzido pelo Pew Intern and American Life ,  assinado pelo prof. Henry Jenkins, mais da metade de todos adolescentes americanos são criadores de conteúdo em mídias digitais e um terço dos adolescentes que usam a internet compartilham suas produções na rede. Em muitos casos, esses estão envolvidos na chamada “cultura participatória”.

A participatory culture is a culture with relatively low barriers to artistic expression and civic engagement, strong support for creating and sharing one’s creations, and some type of informal mentorship whereby what is known by the most experienced is passed along to novices. A participatory culture is also one in which members believe their contributions matter, and feel some degree of social connection with one another (at the least they care what other people think about what they have created).

 Aos poucos as escolas preparam a infraestrutura tecnológica para o suporte da inteligência coletiva, mas ainda será preciso desenvolver as competências essências para a IC, tanto aquelas relacionadas à instituição quanto às ligadas aos alunos e professores.  Será preciso que as escolas se tornem um exemplo de colaboração em todas as suas dimensões. Os professores precisarão se tornar engenheiros do laço social, pois isso sim será fundamental para a emergência da inteligência coletiva na Educação.

José Erigleidson da Silva

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