Sinergia?

Inteligência coletiva é um conceito surgido a partir dos debates promovidos por Pierre Lévy sobre as tecnologias da inteligência, conforme consta na  Wikipedia em português.

Uma rápida olhada na versão francesa nos traz a idéia de sinergia e de que é possível pensar em até resultados catastróficos quando se fala inteligência coletiva. Não deixa de ser interessante essa maneira de encarar o tema. Estariam corretas as afirmações traduzidas da Wikipedia francesa?

Este blog está aberto a vertentes e possibilidades a respeito da IC e não fechar questão sobre um tema que está começando a ser discutido e que promete muito.

Abaixo a versão francesa:

“Inteligência coletiva designa as capacidades cognitivas de uma comunidade resultante das múltiplas interações entre seus membros (ou agentes).

Os elementos trazidos ao conhecimento dos membros da comunidade fazem que tenham apenas uma percepção parcial do meio e não tenham consciência da totalidade dos elementos que influenciam o grupo.

Agentes com comportamento simples podem cumprir tarefas aparentemente muito complexas graças a um mecanismo fundamental que se chama sinergia.

Sob certas condições particulares, a sinergia criada por colaboração faz emergir capacidades de representação, de criação e de aprendizagem superiores àquelas de indivíduos isolados. O estudo da inteligência coletiva implica assim o estudo dos limites das interações entre os membros de um grupo, limites que conduzem a erros coletivos, por vezes, catastróficos.

As formas de inteligência coletiva são muito diversas e variam de acordo com os tipos de comunidades e membros que elas reúnem. Os sistemas coletivos podem ser, com efeito, mais ou menos sofisticados. As sociedades humanas em particular não obedecem regras de outros sistemas naturais, como por exemplo, do mundo animal.”

De modo modo simplicado, as características são:

  • uma informação local e individual: cada individuo possui apenas conhecimentos parciais do meio e não tem consciência da totalidade dos elementos que influenciam o grupo;
  • um conjunto de regras simples: cada indivíduo obedece a um conjunto restrito de regras simples em comparação ao comportamento do sistema global;
  • as interações são múltiplas: cada indíviduo está em relação com um ou muitos outros indivíduos do grupo;
  • a estrutura emergente é útil à coletiviadade: os indivíduos ganham beneficios em colaborar (às vezes instintivamente) e sua performace é melhor do que se ele estivesse sozinho.

Salete Soares

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Antes da inteligência coletiva, a inteligência.

Não tenho pretensão alguma de apresentar aqui, neste post, uma definição absoluta e definitiva a respeito do que seja inteligência, a intenção é menos pretensiosa, apenas desejo fazer uma breve introdução ao tema.

O mote das investigações do Grupo Nós é a inteligência coletiva, termo popularizado pelo francês Pierre Lévy. Antes, entretanto, de falar de uma inteligência coletiva (o que farei em outro post) antecede a pergunta “o que é inteligência?”, pois como nos lembra a professora Lucia Santaella: “temos que começar as coisas de seus começos, agarrá-las pela raiz, caso contrário, tornamo-nos presas de uma rede em cuja tessitura não nos enredamos e, por não nos termos enredado, não saberemos lê-la, traduzi-la.” Julgo importante esse exercício, uma vez que se fala agora, e cada vez mais, de uma inteligência coletiva, distribuída, anuncia-se a emergência do Cibionte, um macroorganismo constituído pelo conjunto dos homens e de suas máquinas, conceito proposto Rosnay. Somado a isso, temos ainda nossas teorias implícitas (não declaradas) de inteligência.

O que é Inteligência?

Em 1921, essa mesma pergunta foi feita pelos editores do Jornal of Educational Psychology a 14 psicólogos famosos da época. As respostas variaram, mas de um modo geral, eles acreditavam que inteligência envolve a capacidade de aprender e de se adaptar ao meio. Mais tarde, o conceito de inteligência foi ampliado, e incluiu a importância da metacognição, as visões das pessoas e seu controle sobre seus próprios processos de pensamento, além do papel da cultura, já que o que pode ser considerado como inteligente em uma cultura pode parecer uma estupidez em outra. Sterneber então define inteligência como “capacidade de aprender a partir da experiência, usando processos metacognitivos para melhorar a aprendizagem e a capacidade de se adaptar ao ambiente. Ela pode requerer diferentes adaptações em distintos contextos sociais e culturais.”.

Richard Gregory, professor de Neuropsicologia da Universidade de Bristol, nos traz dois conceitos bastante interessantes sobre inteligência. Para isso faz uso da metáfora da energia, potencial e cinética. Gregory sugere o termo inteligência potencial para referir-se ao conhecimento armazenado e o termo inteligência cinética para designar o processo. Termos distintos enquanto conceito, mas que se tocam e se imbricam na prática pois, segundo ele, “algum conhecimento é necessário para resolver problemas, e é preciso uma certa iniciativa para aplicar os conhecimento de forma apropriada.”. Para que esses termos fiquem mais evidentes, transcrevo, abaixo, trecho de seu artigo “Vendo a Inteligência”, do livro A natureza da Inteligência, organizado por Jean Khalfa:

“Quando Macbeth pergunta: ‘Diga-me onde você adquiriu essa estranha inteligência?’, ele está perguntando pela fonte do conhecimento ou informação. Tem o mesmo sentido que a ‘inteligência militar, o que não implica que os militares sejam especialmente brilhantes. Por outro lado, se dizemos que Einstein era inteligente, referimo-no ao que ele inventou ou descobriu, mais do que ao que ele aprendeu na escola ou posteriormente em sua vida. É porque o que ele disse não era ainda conhecido que vemos Einstein – e Newton, Faradey, Darwin e outros grandes inovadores – como excepcionalmente inteligentes. Não é a inteligência de conhecimento já existente. É a inteligência de descobrir ou criar novo conhecimento.”

Não poderia terminar este texto sem citar a Teoria das Inteligências Múltiplas proposta por Howard Gardner. Para esse autor, a inteligência não é um conceito único e indivisível, mas a soma de várias habilidades. Gardner identifica as seguintes inteligências: Lingüística, Lógico-Matemática, Espacial, Musical, Corporal-Cinestésica, Interpessoal e Intrapessoal.

Depois de todas essas considerações, eu pergunto, onde começa a inteligência coletiva no ciberespaço? Que tipo de inteligência? Seria apropriado falar de uma inteligência coletiva potencial ou cinética? Seria possível delinear uma cartografia cognitiva do grande cérebro planetário?.

José Erigleidson

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