May 11, 2009
Por uma inteligência para além dos macacos de Andrew Keen
Hoje comprei “O Culto do Amador“, de Andrew Keen. O livro é polêmico porque vai na contramão da deificação da internet com espaço para a inteligência coletiva. O autor prefere colocar em foco a estupidez coletiva em escala planetária. Para Keen, a internet é um instrumento nas mãos de macacos exuberantes (os humanos) que praticam todos os tipos de asneira em rede (o autor recorre ao “Teorema do Macaco Infinito”, proposto pelo biólogo evolucionista T.H. Huxley).
Keen não está completamente errado ao expor a estupidez coletiva, mas, assim como o rei Thamus, em Fedro de Platão, que argumenta contra a escrita, a mais nova invenção do deus Theuth, seus argumentos incorporam apenas parte da verdade.
Não me agrada nenhum um pouco visões fundamentalistas sobre esse ou qualquer outro assunto. Quando falamos do humano seria possível separar o bem do mal? A inteligência da estupidez? Na minha opinião, as tecnologias encarnam o bem e mal, assim com a inteligência e a estupidez do humano.
Vejo nos argumentos de Keen uma oportunidade para o projeto da inteligência coletiva. Sim, sou um otimista, não nego. Sou da linha de Nicholas Negroponte, de Pierre Lévi e de Alvin Toflen. Vislumbro também a possibilidade de uma educação para a inteligência coletiva. Ora, não podemos nos render a mediocridade.
Não tenho a ingenuidade de achar que a tecnologia é elixir salvífico da humanidade, mas como em Sodoma e Gomorra, precisamos fazer intervenções em nome dos justos. É preciso tecer a “engenharia do laço social”, pois é esse o projeto da inteligência coletiva proposto por Lévy.
Para reverter esse cenário aviltante, evidenciado por Andrew Keen, será preciso, dentre outras coisas, fazer uma reapropriação das pedagogias da valorização do humano. Precisamos inventar uma educação para a inteligência coletiva que salve nos mesmos das consequências imprevisíveis da nossa estupidez coletiva.
José Erigleidson da Silva
